05 outubro 2009

A caminho


A pergunta é: como manter a esperança, sem alimentar ilusões?

Pensei e pensei, pois há muitos becos sem saída. Revejo um texto antigo, em que me perguntava se o mundo já tinha passado do ponto de não-retorno, e noto como foi se formando essa certeza de estar vivendo numa espécie de ante-presente, um tempo ineficaz, que não se conta nem se pode contar.

Agora vem Marina com esse chamado, como se ainda desse tempo, como se ainda houvesse jeito –e tanta gente acredita e transfere seus sonhos para outra embarcação, que não posso deixar de me comover. Então vem minha filha Veriana, que daqui a uns dias chega aos vinteanos, e me chama para suas conferências e revoluções comunicativas e culturais, o que me lembra, a um só tempo, que minha descendência neste mundo resulta em inevitável compromisso e que ainda posso ensinar algum ofício, afinal necessário ou ao menos prazeroso, aprendido nas andanças e batalhas d’antanho.

Está bem, vamos.

Reservo-me, porém, o direito de alguma reserva: uma ironia que prometo jamais resvalar para o sarcasmo, boa dose de ceticismo sem a impureza do cinismo, um certo enfado para reuniões já reunidas de conversas já conversadas e distrações freqüentes para olhar a paisagem –afinal, não vim à guerra apenas para guerrear. E não me chamem em dias santos.

Levo comigo uma caneta de ponta muito fina, para desenhar, um velho livro com alguma poesia e a certeza da proteção divina. Faz tempo já me passei para o lado do mistério, mas ainda conheço alguns segredos.

Sou bom na água, melhor na terra. Serei de alguma ajuda.

11 comentários:

Natalia Jung disse...

muito bem!

Marisa Fontana disse...

Ei, Guru da Marina Silva rsrsrsrs. Faz tempo que não comento. É que estava criando meu blog pra mostrar que tenho idéias próprias rs rs rs senão o Altino pode começar a dizer por aí que vc é meu guru também.Pense no drama!! Guru da Marina é uma honra, mas de uma loira como eu, seinão rs rs rs rs
Vc que é blogueiro antigo dá uma espiadinha e lógico, umas dicas também, pra ver se eu tô no rumo.

Marisa Fontana disse...

Obrigado pelas dicas forma muito valiosas. E pode vir quente que eu estou fervendo rs rs rs rs

Ana disse...

Toinho!

...muitos de nós ja fizemos as malas para embarcar na nave Marina!

Sedentos de sonhos
por tantos sonhos desfeitos
jogados ao vento...

Será q somos apenas sonhadores assim como essa mulher extraordinária, chamada Marina Silva?

Bem são apenas algumas questões...

Mas nessa canoa eu ja embarquei...
Quem sabe(escrevendo a la porongas...) quando a canoa aprumar a proa... vai voar...
E trazer pra vida o sonho de um mundo mais justo...(?)

Deus cuida da Marina!

" A proa quando apruma voa..."

luelena disse...

Camiñando en Caminito... Foi bárbaro!!! É lá que fica o estádio do BOCA JÚNIOR... para o Maradona roer as unhas...kkkk

Plínia Campos disse...

"Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar"
Bons conselhos aí no seu texto... boas histórias.

LuHelena disse...

Antonio:
Há cerca de dez anos atrás quando iniciei meu processo analítico disse ao psicanalista: "Acho que perdi todas as ilusões". E ele comentou: "Que bom, isso é uma conquista". Fiquei em silêncio e refleti sobre o significado de iludir-se, o quanto é pernicioso ao jogar-nos para o plano das irrealidades: do falso, da farsa, da zona de cegueiras... Contudo, comecei a diferenciar ilusão do sonho, ilusão da utopia, ainda que no plano do imaginário. Para mim é neste plano que se instala o reino da liberdade. Imaginar, criar, viajar, fertilizar as idealidades. Mesmo porque a criação humana imaginada e sonhada - desde que o Homen emergiu na face da Terra -, é que conduz seus atos, sua vida material e a riqueza de seu universo simbólico.
Assim, creio que é possível a esperança sempre, não só na construção da ética do futuro, mas pela reinvenção do cotidiano - pela construção da poética do agora, como propugna Octávio Paz.
Ah, como é bom fertilizar o imaginário e viver com esperanças - sem ilusões.
Beijos,
Lu

Anônimo disse...

Antonio:
Tu serás, sim, de boa ajuda: na terra, no céu, no ar, na água, no fogo, pois já sabes viver os elementos da vida, o tempo biocósmico - algo que aprendi com os pescadores marítimos e os povos da floresta!
Aí é possível a liberdade de imaginar, sonhar e utopizar - sem niilismos...
abs.,
lu

LuHelena disse...

Bom, como vc pôde perceber, Toinho, errei mais uma vez em não clicar em NOME; mas, não deixei de assinar meu comentário, o que graças à Deus não me colcoca ao lado dos ANÔNIMOS, algo que detesto, pois tudo que escrevo identifico-me e assino em embaixo. Portanto, o texto acima, apresentado como Anônimo (porque cliquei errado) e assinado como lu é, obviamente, de minha autoria. Agora, me apresento como LuHelena, como alguns de meus amigos daqui me chamam. E assino tb como me chamam - lu
BOM DOMINGO!
Abraços, lu

Silvio Margarido disse...

Alimente a Iluzão e perda as eperanzas....

Elineide disse...

Oi Toinho,
Você acredita, ou apenas se comove?