15 janeiro 2010

Dois problemas

1.
Retomar a iniciativa. "Eles" estão inventando e fazendo coisas para gastar o dinheiro que ganham e ganhar o que gastam. "Nós" tentamos empatar. Precisamos fazer e inventar coisas para ganhar tempo e espaço.
2.
Auto-financiamento. A cultura de projeto acabou com nossa autonomia. Como podemos nos bancar? Sustentável é o passo que damos com nossas pernas etc. etc.

9 comentários:

Marisa Fontana disse...

Só esses dois???!!! Dá uma terçadada em cada um e pronto, matou o problema. rsrsrsrsrs Vou pensar em como te ajudar.

NN disse...

Cuidado com Eles e Nos. Desculpe-me Sartre, mas o Outro nao é o inferno. O Outro é a unica soluçao: o dialogo. Eu e Tu. Projetar o abraço. Viver todos, estar juntos, rezar juntos. Sustentavel é o passo que se da' juntos. Nao projetar a sombra. Projetar os sonhos que se acredita. Acreditar no sonhos é projeto comum. Incomum. Na paz e no bem NN

Anônimo disse...

o que é mesmo sustentável? o modo como a vida está organizada, a maneira como se consome, se pensa e sente a vida? a única coisa sustenavel reside hoje no modo como as coisas insustentáveis permanecem.Quero um lugar insustentável, que possa fazer emergir um outro civilizar, outros corpos, outras mentes e afetos.Quero estar aqui para ver o planeta perecer, com ele o gênereso superior do Homo Sacer. Do desaparecimento de uns dependem o surgimento de novas vidas, e sua infinita variedade. O planeta seguirá sua rota, nâo mais precisando de termos para nomear o que nao se compreende, a vida seguirá eras depois do nosso desaparecimento, fazendo brotar mundos que sequer precisam se sustentar em outras vidas, compartilharao desse espaco imenso que um dia o Homo Sacer desprezou, mas isso, nao se sustentou na memória do jovem planeta que irá dar piruetas lindas em torno do sol.

Marisa Fontana disse...

Quando li este post lembrei dessa história:
Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou então todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela. O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:

- “Assumirá o posto o primeiro monge que resolver o problema que vou apresentar.”

Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo e disse apenas:

- “Aqui está o problema!” Todos ficaram olhando a cena. O vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro. O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e … ZAPT … destruiu tudo, com um só golpe. Tão logo o discípulo retornou ao seu lugar, o Mestre disse:

- “Você será o novo Guardião do Castelo.”

Moral da História: Não importa qual o problema. Nem que seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado. Um problema é um problema. Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou, tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, tem que ser suprimido.

Marisa Fontana disse...

Como prometi eis aqui minhas terçadadas:

A 'cultura de projeto' é em parte um falso problema. Veja porque:
Em primeiro lugar pense em como você quer estar em dezembro de 2010. No mínimo vc quer estar igual ao que está agora. Pior, nem pensar! Pra isso vc terá que fazer algumas coisas durante este ano. Pronto. Tendo um objetivo e algumas estratégias para alcança-las e você já tem um projeto. Projetar é inerente a condição humana. O problema portanto é outro.
Um dos maiores dilemas que já vivi em minha vida foi chegar à um termo quando eu adquiri a ciência de que existe um Plano Divino que governa este mundo.

Segunda terçadada:

Esse debate entre o Presidente da FEM (Daniel Zen) e o Doutor Professor da Universidade (Gerson Albuquerque) suscitou em mim imaginações de projetos sobre memória e patrimônio histórico possíveis.
Um deles de grande utilidade pública seria a revitalização da memória do PT.
Eu, por exemplo, tenho saudades dos tempos em que o Zé Gilberto enchia balões de gás pra vender na praça e pagar contas de campanha. Em homenagem a ele (que suicidou-se numa crise depressiva depois de perder as pernas quando estourou o recipiente de gás e ter que aguentar os modernismos do PT) podiamos reavivar os velhos tempos.
Saudades do tempo em que faziamos placas no porão do Lhé. As placas de impressão de jornal eram limpas e pregadas numa armação de madeira pelo S. Pedro (pai da Marina). O Binho fazia o desenho das letras num molde que era recortado e pintavamos até de madrugada, com rolinhos e pincéis o nome e o número da nossa candidata: Marina.
A Marina num palanque montado encima de 'Brasília' velha fazia discursos nas paradas dos ônibus nos horários de grande movimento e nós circulavamos distribuindo 'santinhos'.
Outro dia dia encontrei no ônibus o Nilo. Ele reclamava da Marina que mudou de partido. Eu retruquei: porque o PT pode mudar e a Marina não?
No supermercado encontrei o Lhé. Agora anda com mania de pegar no meu pé.Sempre brincalhão diz: defendendo aquela neguinha né?!! Alguém escuta e diz: E os panetones superfaturados, hem!?? Hoje em dia é assim. O PT trocou de amigos, objetivos e estratégias. A gente, muitas vezes, não tem nem o direito de lembrar os bons velhos tempos.

Maurício Bittencourt disse...

Como nos bancar? O "projeto" tem de ser imprescindível para que as pessoas se disponham a trabalhar por ele voluntariamente. É preciso também um objetivo bem claro pra evitar dispersão. Ou cria-se o projeto a partir de um grupo de pessoas pré-definido ou acha-se o grupo após definido o projeto. Ai como é fácil falar (e escrever!)

luHelena disse...

Antonio, sabe que não entendi este teu papo magro?
Faço-te uma proposta: escreva sobre a rica culinária amazônica, com receita e tudo, pois quero aprender e relembrar das comidas gostozésimas daí e, creio que, com minha idade, e tantas peregrinações por este mundo afora, experimentando as coisas mais exóticas de cada cultura, já não lembro mais de como preparar as delícias acreanas.
Este pode ser um projeto, embora sem ganhar nada, a não ser divulgar algo que poucos conhecem aqui no sul; e aí fazer com que valoremos sua rica comida típica, talvez aquelas mais incomuns, fazendo com que cada um aprenda a preparar e saiba saborear e se lambuzar...
beijos,
lu

frank disse...

Sua reflexão está conectada com o giro atual da terra. No ano passado "Eles" viveram a maior dificuldade para inventar e fazer coisas para gastar o que ganharam e ganhar o que pretendiam gastar. O acúmulo do que ganharam até então pode ser medido pela proporção do número de pobres e miseráveis do planeta (África, América Latina, do Sul, Brasil, Haiti, etc...). Por esta realidade não há outra invenção senão o ardil da maldade: Promoção de guerras entre tribos e nações, incentivo à mentira e a corrupção nos governos, golpes de Estado, vendas de armamentos no mercado ilegal e estímulo aos altos índices de mortalidade nos países pobres. "Nós" sequer conseguimos nos ver como classe (a dos não industriais por não controlarmos os meios de produção), quanto mais admitir que esta luta exista na prática e no campo das idéias. "Eles" construiram a válvula de escape: financiam projetos e emprestam dinheiro para o "estado" e assim possuem total garantia que ganharão o que gastaram, pois a dívida é de governo, ou seja, da sociedade, talvez a única coisa que efetivamente seja pública. "Nós" passamos a cumprir regras e orientações para cumprir os pagamentos, renegociar ou renovar a dívida quando esta vencer e não tivermos lastro suficiente para pagá-la. Assim perdemos nossa autonomia e então a única sustentabilidade em jogo é a d"Eles" e não a "Nós"sa. Vamos ao menos,tentando engrossar as fileiras dos que se percebem não sendo "Eles" e ao menos reclamar, denunciar, tentar empatar. Até podermos mesmo nos reinventarmos.
Frank

Marisa Fontana disse...

Toinho, vc tinha dois problemas. Lendo os comentários percebo que te apresentaram um bocado de outros. Talvez o problema principal seja este blog rs rs rs.