16 fevereiro 2009

Mudar

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Entretanto, como largar as penas? As dores longamente cultivadas até que ficassem firmes, espetadas na carne, as cores vivas com todos os tons de todas as emoções, como deixar ir no vento e permanecer, trêmulo, com a pele arrepiada de frio e esperança?

Nessas horas o pássaro não canta. Mas o canto é o que tenho. Vou começar, portanto, ainda que quase inaudível, numa tarde nublada do inverno amazônico. E o tempo dará o tom e a melodia, que o tempo muda e demuda tudo.

E não se trata de uma decisão pessoal. Há um vento, um chamado, uma vontade cuja origem é difícil de identificar, mas que me inspira confiança para navegar nesta era da incerteza. Mas a responsabilidade é minha e ainda que eu quisesse ser impessoal, não conseguiria. O que quer que seja, não é lá fora.

Assim, numa tradução totalmente livre de Heráclito: "se escutares, não a mim mas ao logos que fala em mim, concordareis que Tudo é Um".

Então, que venha o Tempo.

13 comentários:

Marisa Fontana disse...

Existem coisas que não mudam nunca, outras mudam rapidamente e outras ainda que mudam tão lentamente que que as mudanças não podem ser percebidas. O tempo sempre me intriga com suas infinitas possibilidades e sentidos. Ele também é quem nos separa e faz com que entendamos que o Um é feito de partes numa escala infinita: 0,1 -0,2 - 0,3 - 0,4 ..... Que se vá o tempo!!!

Márcia Corrêa disse...

Quem dera fosse o tempo, algum galinho seco, feito esse aí do cantinho, a carregar passarinhos pro alto das nossas ideías. Ou será que não é? Ficou bem clara e limpa sua nova casa. Daqui a pouco o pessoal começa a chegar pra festa de inauguração.

Kiara Guedes disse...

Que nem o vento e nem o tempo, são bobos nem nada!

keilah diniz disse...

Caríssimo Toinho,
O tempo leva, o tempo traz. Boas cheganças com Aquariuns e a esperança do novo tempo, de paz, harmonia e serenidade. Ou será a idade dos anos vividos?
Keilah

Marcelo Vieira disse...

Ufa!!! O "tempo" também nos ensina que não devemos ser precipitados, principalmente nos julgamentos... Mas confesso que, por algum "tempo", fiquei com a impressão de que, ao contrário do que dito no "espírito da coisa", o ano somente se iniciaria, para ti (bem como para muitos brasileiros, inclusive eu), depois do Carnaval... rsrsrs... Ainda bem! Mas foi por pouco... pouco "tempo"...

Lucia Helena disse...

Tempo, Tempo, Tempo... Maravilhoso o blog! Resta redimir-me e entrar na esfera atemporal - sem nenhum tempo, com tempo: o natural, fora do tempo do relógio, do instantâneo, da medida, do cronômetro. É como diz Keilah Diniz: "coisas bonitas se fazem devagar, sem pressa...". Mil beijos, Lú

Marisa A disse...

Então seria ... a coisa em si gestou o espírito da coisa que em "resposta ao tempo" trouxe ao tempo algum.
Bom te ver de novo

Marisa Fontana disse...

Sobre esse nome fiquei estudando os vários sentidos possíveis. Entre eles alguns merecem destaque: o primeiro lembra Lula que em uma de suas melhores frases diz "Em tempo algum (ou seria nunca?)da história desse país". O segundo sentido é o de Peter Pan na terra do nunca. Dá até pra apelidar de blog do Peter Pan. Pensamentos felizes para voar.

BLOG DO CARIOCA disse...

A nossa professora já nos diz: "Olhemos para o tempo, que o tempo demudou". O tempo é mesmo o grande professor. Logo agora que em pesquisas a jornais antigos tinha descoberto que "o espirito da coisa" vem de tão longos tempos.

lucia helena disse...

Ler os densos comentários deste blog sobre o tempo é como se este corresse sempre manso e, a um tempo, profundo. Leveza e profundidade se combinam, mesmo parecendo que são termos antitéticos e irreconciliáveis. Os pássaros com sua bela plumagem podem pousar numa pedra. E adorná-la por algum tempo... Depois, voam no tempo, como estou voando como uma pluma neste seu novo blog! Que vc me permita sempre estas viagens. bjos, lu

Brenda disse...

"Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo..."

Que bom que voltou Antonio,já não era sem tempo!

Annima Flora disse...

Caro Amigo,
Como bom leitor, e seguidor de Krishnammurti (bom saber disso)que deves ser, sabe que tempo não existe.Tempo é uma construção humana, apenas..
Teu blog está melhor assim..mas leve de ler - até me animou a retomar meus apontamentos e leituras Krishnammurtnianas.

bjus

Cochise César disse...

Um bom blog.
Não sei se vale alguma cisa, mas achei bom o bastante para adicionar num planeta de blogs de escritores que fiz principalment para acmpanhar mais facilmente o que há por aí.
http://planetaki.com/escritoresdainquietitude
Até a próxima.