20 fevereiro 2009

Farinha com mel

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Primeiro é preciso entender a dinâmica da mudança, suas "leis" internas, seus fluxos, contradições e tempos, sua concepção, nascimento, maturação, estagnação, rupturas, avanços, retrocessos, lucidez, loucura. Conhecer a mudança, como ela é, por fora e por dentro.

Depois é preciso entender o estar-na-mudança, de como a percepção vira pensamento, que vira percepção, como ambos resultam em ação, que vira mais percepção e pensamento.

E ainda é preciso estar integrado e separado, ao mesmo tempo. Se eu estiver totalmente integrado, vou simplesmente fazer parte, estar em conformidade, seguir a corrente, a manada. Se estiver totalmente separado, não posso influenciar nem dar rumo. Um tanto de uma coisa, um tanto de outra... é como comer farinha com mel: mais farinha e fica seco, mais mel e fica melado, e por aí vamos.

12 comentários:

Márcia Corrêa disse...

Por aqui a vontade de estar fora é grande. Mas, a vontade de meter a colher na farofa também. Vou experimentar farinha com mel pra ver se dá liga. Depois do carnaval te conto.

Marisa Fontana disse...

Para os químicos a dose certa se faz racionalmente a partir de uma receita, para os alquimistas intui-se um punhado adequado à uma dose. E assim vamos com nossas diversidades de métodos, de maneiras de ser, de interesses e objetivos.

Anônimo disse...

palavras a mais, palavras a menos, precisamos conversar.Não há mel e, a farinha anda escaça por causa do preço, assim mesmo podemos conseguir um alguidá com um pouco.

Sub

Hermington Franco disse...

Toinho, precisamos de mais do mel dos teus textos na farinhez desse cotidiano. Escreve mais hômi!

Walquíria Raizer disse...

o minino sai do acre
(mas o acre, não sai do minino)
.
saudade imensa, que chega o doer
e não passa

beijos,
wal

BLOG DO CARIOCA disse...

Gostei da mundança com esse mundo mais doce!O ingrediente de destaque é o mel. Na culinária judaica, por exemplo, ele simobiliza momentos doces. Não à toa é a primeira coisa que os judeus comem na volta da sinagoga, ao comemorar o ano-novo judaico. Já na receita do atayef, um doce árabe, o mel é na verdade uma calda de açúcar cuja marca é o perfume de flor - esse aroma ajudaria a elevar o espírito, segundo a tradição daquele povo. Por fim, para presevar na memória esse tempo e adocicar seu paladar, uma receita com um toque francês: torta de pêras com creme de mel. Vale cometer um pecadinho só para alegrar o espírito e ajudar a viver esse carnaval.

Marisa A disse...

É a coisa da justa medida do Camus ... da história da viola, quando as cordas estão frouxas não tem um som legal e quando estão esticadas demais ... arrebentam, grande Sidarta !

Plínia Campos disse...

o espirito da coisa há sempre de rondar por aí.

Santiago Queiroz disse...

"Ligar-se, sintornizar-se, libertar-se." (Timothy Leary)

Cochise César disse...

Estar junto é um pequeno sacrifício.
Mas alguns deles valem a pena.
e sem eles, também, onde estaríamos agora? Sempre foram necessários sacrifícios.

lucia helena disse...

Concordo. É difícil, mas tem que ser a dose certa. Tudo tem que ser para não ser over-dose. Senão coloca-se o risco de se lambuzar, empapuçar, enxarcar, ficar melado... Aí perde-se o gosto e não se consegue o saboreio da farinha com mel. De todos os engredientes que precisamos comer -viver. bjos,
lu

Chuang Tse disse...

Quem dirige os outros, acaba confuso.
E quem se deixa dirigir, vive triste.
O ideal é não desejarmos influenciar os outros
Nem nos deixarmos influenciar por eles.
E viver com o Tao, na terra do grande Vazio.
Mesmo que tenha muito mau feitio,
um homem que atravessa um rio num barco
não se zanga se um barco vazio colidir com o seu.
Mas, se nesse barco estiver alguém,
Vai-lhe gritar que vire o leme.
E gritará outra vez se o grito não for ouvido
E começará a praguejar.

Porque há alguém dentro do barco.
Se o barco estivesse vazio,
Não gritaria nem ficaria zangado.

Se conseguirmos esvaziar o nosso barco,
Ao atravessar o rio do mundo,
Ninguém se nos oporá.
Ninguém nos tentará fazer mal.

Chuang Tse