06 maio 2009

TEMPUS FUGIT

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Ainda não se decidiu, o vento, se é de chuva ou de friagem. Mas o dia cinza e friorento introduz possibilidades de um verão acreano, daqueles que vareiam e contrareiam gramáticas e meteorologias. E como a filosofia e a poesia raramente sobrevivem em temperaturas acima de 30 graus centígrados, aumentam as chances de oscilação bipolar, embora assim graduada, no ânimo dos povos da floresta. Ontem era dia de ocupar a praça com protestos, hoje para tomar tacacá.

Enquanto isso, a vida vai passando. Oitenta anos, noventa, um dia as pessoas vão embora. Quem fica, conversa um pouco sobre o assunto -esse, a morte- que, por incômodo, não se demora. Entretanto, dizem que a enchente de 53 só não foi maior que a de 11, lembrada pelos antigos como o dilúvio. Isso significa que há diferenças entre viver agora e em outro tempo, o que certamente implica em algumas responsabilidades. O esforço para pensá-las é que parece ser muito grande -pela poesia ou pelo tédio- no frio como no calor.

Imagine se tivéssemos tempo.
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3 comentários:

Veriana Ribeiro disse...

=) não te chamarei de poeta, porque isso já virou xingamento.
aí está um assunto pertinente.

Enquanto isso, a vida vai passando...

andreyneves@bol.com.br disse...

Oi mestre Toinho, quanto tempo! Indiquei você para uma mesa redonda, com o tema, a ética da comunição na Amazônia, que faz parte da programação da Reunião da SBPC, que será realizada em julho em Manaus, a professora Tatiana do INPA, entrará em contato , para convidá-lo oficialmente, tomara que que possa vir, assim jogaremos umas partidas de xadrez. Um abraço.

Thiago Silva disse...

Olá Toinho! Essas suas palavras fizeram me lembrar da "maior" queimada que já vi por aqui... Não, não foi a de 2005! Foi em 2006, quando cheguei nas maravilhosas praças acreanas, a primeira e a pior queimada que já vi. Indo pra Capixaba, tive que parar pois a dor foi perturbante. 2007 e 2008 não foram tão menores, mais provável que eu estivesse já conformando-me...
Imagine, a referência se tivesse visto 2005 ardendo...
Diferente mesmo os tempos em que vivemos!

Bom te encontrar, embora que brevemente, na vila esperando o táxi. Quiçá algum dia a prosa será mais extensa.

Luz e paz!